Uma situação delicada impõe domínio completo de habilidades
cognitivas e assunção de graves responsabilidades, envolvidas tantas vezes na
administração de patrimônios próprios e de terceiros, e ainda mais na
preservação da própria vida, o que tem como decorrência a obrigatoriedade de
lucidez na tomada de decisões e no desenvolvimento de ações, muitas das quais
relativas a atividades prosaicas, mas sem as quais pessoas e instituições
entram na mira.
Não há saída a quem esteja no "olho do furacão", a não ser rejeitar fortemente elementos desestabilizadores, sejam eles fatos, coisas e mesmo pessoas. A energia gasta, na retomada do eixo emocional e na recuperação do tempo perdido inutilmente, faltará miseravelmente nos momentos decisivos, que, mesmo quando atendidos nos melhores cenários, não têm garantia de sucesso.
Por isso, fechar-se a fatos, coisas e mesmo pessoas
desequilibrantes não deve vir acompanhado de sentimento de culpa, antes
pelo contrário: deve promover uma agradável sensação de alívio, como quando
escapamos de um desastre.
Jeosafá Fernandez Gonçalves é Doutor em Letras pela USP e Pós-Doutor em História pela mesma Universidade. Escritor e professor, lecionou para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados. Foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor daFundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, entre os quais Carolina Maria de Jesus: uma biografia romanceada, O jovem Mandela, O jovem Malcolm X (Editora Nova Alexandria); O espelho de Machado de Assis em HQ, A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo (Mercuryo Jovem). Atualmente é professor na Rocinha, Rio de Janeiro.
